domingo, 1 de dezembro de 2013

O sentido da vida

Qual é o sentido da vida? Pergunta mais sem sentido não há!
Formulada assim, secamente, esconde um pressuposto vital, o da existência do sentido da vida.
Pois bem, só faz sentido responder a essa pergunta se formos capazes de responder uma pergunta anterior: existe algum sentido para a vida? Se a resposta for sim, faz sentido passar para a pergunta seguinte, mas se for não, estamos diante de um engodo em forma de pergunta.
Respostas do tipo "tem que haver um sentido" ou "não faz sentido uma vida sem sentido" não são exatamente respostas, ou, como alguns preferem chamar, são respostas circulares, pois retornam ao ponto inicial sem efetivamente responder nada. Na verdade, explica-se essas"respostas" pelo desejo do ser humano de ser querido, de não estar só e de que alguém o esteja cuidando, como os pais faziam quando eram crianças.
Apesar de criticada até mesmo no meio cientifico, a teoria da evolução ainda é a explicação mais razoável para a viabilidade da vida na Terra , e um dos seus principais componentes é a aleatoriedade das mutações, dando suporte e fornecendo as condições para a seleção natural atuar. O resultado final de milhões de anos de evolução é comumente confundido com a existência de um designer do universo, tamanha a suposta perfeição que os organismos atingem.
A tão propalada perfeição é muitas vezes usada para "provar" a existência de deus, e consequentemente, do sentido da vida. Não existe falácia maior do que a da perfeição da natureza. Esse mito da perfeição caiu há centenas de anos quando Galileu mostrou as imperfeições dos astros com seu telescópio, e bastava que as pessoas quisessem se informar um pouco mais para saber que existem falhas no pareamento dos genes, provocando doenças congênitas, oscilações no eixo de rotação da Terra, imprevisibilidade do clima, entre outros fatores que apontam para a não existência da perfeição.
Portanto, na ausência de uma resposta positiva para a existência do sentido da vida, não faz sentido proceder para a pergunta seguinte. O que nao significa que alguém nao possa acreditar que exista um sentido A ou B. Alias, é justamente pela falta de uma resposta definitiva para essa pergunta que todas as principais religiões do mudo surgiram, oferecendo o seu produto-resposta.