Qual é o sentido da vida? Pergunta mais sem sentido não há!
Formulada assim, secamente, esconde um pressuposto vital, o da existência do sentido da vida.
Pois bem, só faz sentido responder a essa pergunta se formos capazes de responder uma pergunta anterior: existe algum sentido para a vida? Se a resposta for sim, faz sentido passar para a pergunta seguinte, mas se for não, estamos diante de um engodo em forma de pergunta.
Respostas do tipo "tem que haver um sentido" ou "não faz sentido uma vida sem sentido" não são exatamente respostas, ou, como alguns preferem chamar, são respostas circulares, pois retornam ao ponto inicial sem efetivamente responder nada. Na verdade, explica-se essas"respostas" pelo desejo do ser humano de ser querido, de não estar só e de que alguém o esteja cuidando, como os pais faziam quando eram crianças.
Apesar de criticada até mesmo no meio cientifico, a teoria da evolução ainda é a explicação mais razoável para a viabilidade da vida na Terra , e um dos seus principais componentes é a aleatoriedade das mutações, dando suporte e fornecendo as condições para a seleção natural atuar. O resultado final de milhões de anos de evolução é comumente confundido com a existência de um designer do universo, tamanha a suposta perfeição que os organismos atingem.
A tão propalada perfeição é muitas vezes usada para "provar" a existência de deus, e consequentemente, do sentido da vida. Não existe falácia maior do que a da perfeição da natureza. Esse mito da perfeição caiu há centenas de anos quando Galileu mostrou as imperfeições dos astros com seu telescópio, e bastava que as pessoas quisessem se informar um pouco mais para saber que existem falhas no pareamento dos genes, provocando doenças congênitas, oscilações no eixo de rotação da Terra, imprevisibilidade do clima, entre outros fatores que apontam para a não existência da perfeição.
Portanto, na ausência de uma resposta positiva para a existência do sentido da vida, não faz sentido proceder para a pergunta seguinte. O que nao significa que alguém nao possa acreditar que exista um sentido A ou B. Alias, é justamente pela falta de uma resposta definitiva para essa pergunta que todas as principais religiões do mudo surgiram, oferecendo o seu produto-resposta.
domingo, 1 de dezembro de 2013
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Vilarejos medievais - gratidão ou egoísmo?
As principais religiões do mundo conservam rituais, crenças e costumes medievais, que quase sempre não estão abertos para discussões e/ou atualizações para a realidade do século XXI. Ok, não vim até aqui discutir rituais e crenças. Rituais e crenças são rituais e crenças, não acabe analisar se estão certos, errados, coerentes, etc. O problema que me incomoda são os pensamentos medievais por detrás dos rituais, crenças e costumes.
Para as pessoas que viviam em um vilarejo da Europa feudal no ano 1000, a realidade do mundo era a realidade do vilarejo. Simplesmente não se conheciam terras distantes, nem mesmo se sabia da existência de terras distantes. Os primeiros mapas mundi apresentavam monstros povoando os mares e as terras distantes. As notícias do lado de fora dos muros do vilarejo não chegavam, e quando chegavam, demoravam semanas ou até meses. Assim, se o vilarejo fosse rico e próspero, não haveria motivo para acreditar na pobreza ou na miséria.
Hoje, em plena era da Internet e das comunicações móveis, onde é possível saber tudo que acontece com qualquer pessoa no mundo em tempo real, por incrível que pareça, ainda tem gente vivendo como se vivesse nesse vilarejo isolado do mundo. Não por que vive em situação de risco social em áreas de grande pobreza (no mundo ainda existe muito lugar assim), muito pelo contrário, tem acesso às melhores condições sociais que as melhores cidades do mundo podem oferecer para quem tem dinheiro, mas por que estão cegas pelo pensamento medieval do vilarejo, que as impede de ver por cima dos muros.
Será que quando você agradece a Deus pela comida que está prestes a comer, sabendo que uma pessoa está morrendo de fome naquele exato instante em algum lugar do mundo, você não está sendo egoísta? Será que quando você agradece a Deus pela sua saúde ou de seus filhos, sabendo que naquele exato instante muitos pais estão lutando pelas vidas de seus filhos nos hospitais, você não está sendo egoísta? Será que quando você agradece a Deus pelo livramento de sua vida ou de algum parente, sabendo que milhares de pessoas morreram e ainda vão morrer mundo afora vítimas de desabamentos, incêndios, afogamentos ou catástrofes naturais, você não está sendo egoísta? Pelo raciocínio medieval dos vilarejos prósperos isolados do resto mundo, provavelmente tudo isso seria considerado a mais pura e honesta gratidão.
Só que nos dias de hoje isso não faz nenhum sentido para mim. É como se, subitamente, os camponeses do século X fossem transportados para o futuro e equipados com iPhones e iPads, acessando o Facebook e dizendo: "obrigado Deus pela colheita deste ano". Total anacronismo.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
O objetivo da vida é viver
Em uma cena do filme Alexandria (Agora, 2009), um dos alunos de Hipatia, ao se defrontar com o sistema astronômico de Ptolomeu, com seus complicados ciclos e epiciclos, disse: "Deveria ser simples..."
A questão central por trás do sistema de Ptolomeu é que os gregos daquele tempo consideravam que o círculo, sendo a mais perfeita das formas, deveria estar presente nos céus, o locus por excelência da perfeição. Mas, ao considerar que as órbitas dos planetas eram circulares, surgiram uma série de inconsistências com os dados obtidos por meio das observações. Os planetas (que deriva do grego e significa "errantes") pareciam dançar nos céus e se recusar a obedecer órbitas circulares.
Ao invés de se renderem ao que estava na frente dos seus olhos, os gregos optaram por salvar a ideia da perfeição do círculo. Ptolomeu cria um sistema de epiciclos, uma espécie de micro-órbita dentro da órbita de cada planeta, tornando o sistema bastante complicado. A ideia da perfeição do círculo foi salva e durou mais de mil anos, até que Johannes Kepler mostrou que as órbitas eram na verdade elípticas.
Fazendo um paralelo entre essa história e a visão de grande parte das tradições religiosas em relação ao sentido da vida, perguntamos a essas tradições: qual é o objetivo da vida? Ouviremos uma resposta parecida com "a vida de cada pessoa tem um objetivo", ou, "todos tem uma missão a cumprir". Quase sempre, essas missões são bastante nobres, como casar, ter filhos, cuidar dos filhos, cuidar dos pais, ajudar aos pobres e necessitados, trazer ensinamentos, entre outras. Dificilmente ouviremos que a missão de alguém é, por exemplo, sofrer.
Apesar disso, as evidências nos mostram que existem muitas pessoas que nascem, sofrem e morrem, como crianças torturadas e mortas nos campos de concentração, crianças que nascem com doenças, deformidades ou deficiências gravíssimas, entre outras histórias tristes.
Para salvar suas ideias e não se render às evidências, as tradições religiosas criam, assim como Ptolomeu, seus epiciclos, fazendo remendos e mais remendos, como justificar o sofrimento de uns para o crescimento de outros, a dor de um inocente para que o culpado seja atingido, mundos diferentes para onde iremos depois de morrer, entre outras elucubrações. A ideia inicial da missão ou objetivo da vida parecia simples, mas com o tempo, torna-se algo muito complexo de se entender, cheio de artifícios e exceções à regra cujo único objetivo é apenas salvar a própria regra.
A vida, assim como o sistema planetário e tantas outras coisas, deve ser simples. Por isso, acredito que o objetivo da vida não pode ser outro a não ser o mais óbvio, viver. Isso explica muitas coisas, sem precisar de epiciclos.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Por que não encarar a realidade?
Quem já perdeu algum ente querido, com certeza já ouviu uma daquelas frases-prontas-de-botequim-da-esquina, como por exemplo:
"Ele está melhor do que a gente agora"
"Ele está em um lugar melhor do que a gente"
"O tempo vai acalmar seu coração"
"Deus sabe o que faz"
"Deus sabe o que é melhor"
Por que as pessoas falam isso?
Alguém já esteve "do lado de lá" e voltou pra contar como é? Não!
Pois é, como é que podem afirmar isso?
Em relação à terceira frase, a minha experiência é que o tempo apenas tira aquele sofrimento do foco central da sua vida, mas toda vez que você se lembrar de tudo que passou, toda a dor volta, com a mesma intensidade de sempre. Ou seja, o tempo não apaga nada.
Quanto às duas últimas frases, fico pensando se as pessoas que as dizem vivem realmente no mesmo planeta que eu. Chego a cogitar a possibilidade delas terem sido chipadas pelos mesmos alienígenas que pegaram a Baby do Brasil (ex-Baby Consuelo). É só abrir qualquer jornal ou revista e pensar por que tantas pessoas sofrem no mundo.
Muita calma nessa hora, é para pensar como gente grande! Tem muita gente "experta" por aí enganando as pessoas com filosofias baratas. A mais clássica de todas diz respeito ao livre arbítrio. Segundo esses "especialistas", o sofrimento do mundo é decorrente do livre arbítrio, ou seja, Deus não pode interferir no mundo e impedir que as pessoas sofram por que Ele estaria suspendendo o livre arbítrio.
Uau! E agora? Como posso contestar essa "poderosa" ideia? Hum...
Bobagem, isso é a maior balela, facilmente empurrada goela abaixo de quem não quer se dar ao trabalho de pensar 30 segundos.
Posso até concordar que Deus não pode impedir genocídios, chacinas e guerras, por que isso tudo é feito pela vontade do homem, e apenas o homem seria responsável por esse sofrimento. Agora pense comigo um pouquinho. Toda pessoa que sofre, esse sofrimento é provocado por outra pessoa? Isto é, o sofrimento de alguém é sempre resultado do livre arbítrio da própria pessoa ou de outrem?
CLARO QUE NÃO!
Pense nas doenças congênitas. Quantas crianças nascem com graves defeitos de formação, e sofrem durante um longo tempo, até morrerem? Quem provocou isso? Foi o livre arbítrio de quem?
Chegando a esse "beco escuro", só vejo duas saídas: Deus é mal ou Deus não tem nada a ver com isso. Como duvido que alguém escolheria a primeira opção, vamos trabalhar com a segunda. Pois bem, Deus não tem nada a ver com isso, mas ele não é todo-poderoso? Por que só algumas crianças nessa situação recebem um suposto milagre? Como o longo sofrimento seguido de morte de uma criança pode ser o melhor para a própria criança? Se a resposta for que a vida do outro lado bla bla... volto a perguntar: alguém já voltou de lá para dizer alguma coisa?
Pensar que Deus é todo-poderoso, que pode acabar com o sofrimento dessas crianças e não o faz, é o mesmo que pensar que ele é mal. Mas, como descartamos essa possibilidade, a única conclusão possível é que Deus não é todo-poderoso.
Sendo assim, orações não fazem o menor sentido, assim como igrejas não fazem o menor sentido.
As pessoas falam todas essas coisas, acreditam em todas essas coisas, simplesmente por que não querem encarar a realidade. O maior medo da maioria das pessoas é morrer, e todas essas frases são na verdade a manifestação de um desejo de que a realidade fosse diferente. Mas, infelizmente não é.
Eu sei que quase todos preferirão continuar acreditando nessas baboseiras. Sem problemas, o que importa mesmo é ser feliz, mesmo que para isso precisemos conviver com grandes mentiras.
"Ele está melhor do que a gente agora"
"Ele está em um lugar melhor do que a gente"
"O tempo vai acalmar seu coração"
"Deus sabe o que faz"
"Deus sabe o que é melhor"
Por que as pessoas falam isso?
Alguém já esteve "do lado de lá" e voltou pra contar como é? Não!
Pois é, como é que podem afirmar isso?
Em relação à terceira frase, a minha experiência é que o tempo apenas tira aquele sofrimento do foco central da sua vida, mas toda vez que você se lembrar de tudo que passou, toda a dor volta, com a mesma intensidade de sempre. Ou seja, o tempo não apaga nada.
Quanto às duas últimas frases, fico pensando se as pessoas que as dizem vivem realmente no mesmo planeta que eu. Chego a cogitar a possibilidade delas terem sido chipadas pelos mesmos alienígenas que pegaram a Baby do Brasil (ex-Baby Consuelo). É só abrir qualquer jornal ou revista e pensar por que tantas pessoas sofrem no mundo.
Muita calma nessa hora, é para pensar como gente grande! Tem muita gente "experta" por aí enganando as pessoas com filosofias baratas. A mais clássica de todas diz respeito ao livre arbítrio. Segundo esses "especialistas", o sofrimento do mundo é decorrente do livre arbítrio, ou seja, Deus não pode interferir no mundo e impedir que as pessoas sofram por que Ele estaria suspendendo o livre arbítrio.
Uau! E agora? Como posso contestar essa "poderosa" ideia? Hum...
Bobagem, isso é a maior balela, facilmente empurrada goela abaixo de quem não quer se dar ao trabalho de pensar 30 segundos.
Posso até concordar que Deus não pode impedir genocídios, chacinas e guerras, por que isso tudo é feito pela vontade do homem, e apenas o homem seria responsável por esse sofrimento. Agora pense comigo um pouquinho. Toda pessoa que sofre, esse sofrimento é provocado por outra pessoa? Isto é, o sofrimento de alguém é sempre resultado do livre arbítrio da própria pessoa ou de outrem?
CLARO QUE NÃO!
Pense nas doenças congênitas. Quantas crianças nascem com graves defeitos de formação, e sofrem durante um longo tempo, até morrerem? Quem provocou isso? Foi o livre arbítrio de quem?
Chegando a esse "beco escuro", só vejo duas saídas: Deus é mal ou Deus não tem nada a ver com isso. Como duvido que alguém escolheria a primeira opção, vamos trabalhar com a segunda. Pois bem, Deus não tem nada a ver com isso, mas ele não é todo-poderoso? Por que só algumas crianças nessa situação recebem um suposto milagre? Como o longo sofrimento seguido de morte de uma criança pode ser o melhor para a própria criança? Se a resposta for que a vida do outro lado bla bla... volto a perguntar: alguém já voltou de lá para dizer alguma coisa?
Pensar que Deus é todo-poderoso, que pode acabar com o sofrimento dessas crianças e não o faz, é o mesmo que pensar que ele é mal. Mas, como descartamos essa possibilidade, a única conclusão possível é que Deus não é todo-poderoso.
Sendo assim, orações não fazem o menor sentido, assim como igrejas não fazem o menor sentido.
As pessoas falam todas essas coisas, acreditam em todas essas coisas, simplesmente por que não querem encarar a realidade. O maior medo da maioria das pessoas é morrer, e todas essas frases são na verdade a manifestação de um desejo de que a realidade fosse diferente. Mas, infelizmente não é.
Eu sei que quase todos preferirão continuar acreditando nessas baboseiras. Sem problemas, o que importa mesmo é ser feliz, mesmo que para isso precisemos conviver com grandes mentiras.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Revoltas juvenis
Ouvi certa vez de uma pessoa com quem conversava a seguinte
frase: “você está revoltado com Deus por causa
do que aconteceu com seu filho”. Naquela ocasião, era procedente a
colocação daquela pessoa, mas hoje não é mais, por vários motivos que
explicarei a seguir.
Essa frase aparentemente inocente e sem maiores pretensões esconde
um universo inteiro de intenções. A primeira coisa que é preciso destacar é que
a pessoa que me dirigiu essa pequena pérola
em forma de frase pertencia a uma religião tradicional, e não acredito
tratar-se de um caso isolado. Acredito que nas pequenas coisas encontram-se indícios
para as grandes coisas. Esse tipo de comentário é algo muito comum por parte de
religiosos, e quando não é exteriorizado, costuma ser pensado. Mas afinal, o
que tem de tão especial nessa frase?
Basicamente, a frase não explica nada, não consola, não
conforta, não indica caminhos, possibilidades, respostas, enfim, é vazia de
significados para quem está sofrendo, mas repleta de intenções para quem se
acha conhecedor da Verdade (se é que existe uma). Ao tomar conhecimento de
histórias tristes, os próprios fiéis, de qualquer religião que seja, precisam “apagar
o incêndio”, não deixar que o vírus da dúvida plantada com a revolta de quem
sofre contamine suas mentes. Essa pérola
em forma de frase serve muito mais como “resposta” para quem compartilha de
alguma fé religiosa do que para quem duvida dela.
Claro que, para quem sofre, ela está longe de ser uma
resposta, simplesmente por que não responde nada. Contudo, imaginemos que seja
verdade que pessoas passando por situações críticas em suas vidas duvidem de
Deus e até blasfemem contra Ele. Não seria o caso de contra-argumentar as
dúvidas com algumas palavras de mínima sabedoria? Por que a dúvida se tornaria
ilegítima apenas e tão somente pelo fato de ser decorrente de um momento de
fúria?
Para fazer uma analogia, seria mais ou menos como se um
aluno, revoltado com seus estudos de matemática, perguntasse aos berros para o
professor: “que droga! Não suporto mais isso! Por que o quadrado da hipotenusa
é a soma dos quadrados dos catetos? Por quê?” e o professor, ao chegar bem
perto, pegar na mão do aluno, olhar nos olhos dele, desse um suspiro e dissesse:
“vai passar, você só está revoltado, vai passar”.
É claro que essa analogia pode parecer forçada para algumas
pessoas, e de certa forma, eu até concordaria com elas se dissessem “mas nem
tudo tem resposta como na matemática”. Ótimo! Então por que não dizer para uma
pessoa que está sofrendo “sinto muito, eu não tenho uma resposta”? Por que, ao
invés disso, tenta-se responder o que não tem resposta, e o pior, com uma
pseudo resposta como a pérola apresentada acima?
Outra coisa que é
preciso esclarecer é que quem diz essa frase, em geral, não consegue imaginar
que alguém possa viver sem acreditar em Deus. As pessoas que acreditam
verdadeiramente em Deus imaginam que, mesmo aqueles que se dizem ateus, no
fundo o fazem por raiva ou revolta por alguma perda ou fracasso sofridos na
vida, ou até por inveja do que os “abençoados por Deus” alcançaram. Aliado ao
fato de que não faz sentido estar revoltado contra algo que não se acredita,
terminam por concluir que a revolta vai passar e a pessoa vai aceitar seu
destino.
Além de extremamente egoístas, são pensamentos muito limitados
e típicos dos pensamentos difundidos por adoradores de deuses espalhados mundo
afora, principalmente da cultura judaico-cristã, que agarram-se às suas “frágeis
verdades” e precisam, desesperadamente e o tempo todo, justificá-las para mantê-las
isoladas e protegidas de todo e qualquer ataque que possa perturbar a calmaria
e a complacência do seu mar de ignorância.
Qualquer dúvida, por mais simples e frugal que seja, como aquelas
que nascem das inocentes (porém pertinentes!) perguntas das crianças, não são
bem vindas em praticamente nenhuma religião. Pseudo respostas como “é assim”, “Deus
fez assim”, “Deus quis assim” ou “um dia você vai entender” são as mais comuns,
e seus objetivos são claríssimos, afastar as nuvens negras antes que comecem a
chover dúvidas mais profundas. Essa última, aliás, seria uma das mais sinceras
se mudasse para “um dia você vai esquecer”.
Em geral, é isso que acontece quando crescemos, esquecemos as
questões fundamentais, seja por que nos acostumamos com as respostas que os
adultos nos deram na infância, seja por que cansamos de procurar por elas, seja
por que as tarefas do cotidiano nos atropelaram como um rolo compressor. Em qualquer caso, turbulências da vida tem o
importantíssimo papel de trazer à tona novamente a criança que deixamos adormecida
lá no fundo para perguntar “Deus existe? Por que então Ele não aparece para
gente? Ele não quer que a gente o veja? Por que as pessoas tem que sofrer?”
Viva a revolta juvenil!
quinta-feira, 26 de julho de 2012
O que é o Diabo?
O que é o diabo?
Nada mais que o oposto de Deus, certo?
E para quê serve o Diabo? Serve para preencher as lacunas da ideia-deus (a ideia criada pelos homens de que existe um deus que olha por nós, bla bla bla).
Por exemplo, como explicar o sofrimento de uma pessoa justa, ou o que é pior, de uma criança? Deus poderia querer isso? Ele estaria fazendo a criança sofrer mas na verdade seu alvo são os pais da criança?Parece brincadeira né, mas tem muita gente que acredita nisso. Outras não acreditam, e daí, como resolver a questão?
Alguns ainda apelam para a "teologia do teste". Deus estaria testando a fé das pessoas por que na verdade ele ama essas pessoas, tem um plano maior para eles.
Caramba! Piorou não acham? Acreditar que Deus usa um inocente para atacar terceiros é no mínimo coisa de sequestrador, e ainda por cima, um sequestrador bem diferente (para não dizer demente), por que na verdade, ele ama o sequestrado e sua família.
Gente que pensa dois minutos não acredita nisso.
O que sobra para salvar a ideia-deus e não jogá-la fora? Tchanan! Eis que aparece o Diabo! A culpa é dele! Claro, sempre tem que haver um culpado não é isso?
Pois bem, para não ter que suportar a ideia de que existe um Diabo, não seria melhor abrir mão da ideia-deus?
Nada mais que o oposto de Deus, certo?
E para quê serve o Diabo? Serve para preencher as lacunas da ideia-deus (a ideia criada pelos homens de que existe um deus que olha por nós, bla bla bla).
Por exemplo, como explicar o sofrimento de uma pessoa justa, ou o que é pior, de uma criança? Deus poderia querer isso? Ele estaria fazendo a criança sofrer mas na verdade seu alvo são os pais da criança?Parece brincadeira né, mas tem muita gente que acredita nisso. Outras não acreditam, e daí, como resolver a questão?
Alguns ainda apelam para a "teologia do teste". Deus estaria testando a fé das pessoas por que na verdade ele ama essas pessoas, tem um plano maior para eles.
Caramba! Piorou não acham? Acreditar que Deus usa um inocente para atacar terceiros é no mínimo coisa de sequestrador, e ainda por cima, um sequestrador bem diferente (para não dizer demente), por que na verdade, ele ama o sequestrado e sua família.
Gente que pensa dois minutos não acredita nisso.
O que sobra para salvar a ideia-deus e não jogá-la fora? Tchanan! Eis que aparece o Diabo! A culpa é dele! Claro, sempre tem que haver um culpado não é isso?
Pois bem, para não ter que suportar a ideia de que existe um Diabo, não seria melhor abrir mão da ideia-deus?
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Babaquice fantástica
Não costumo mais assistir ao programa Fantástico, exibido pela Rede Globo há não sei quantas décadas no horário nobre da família brasileira, mas no dia 3 de junho de 2012, duas espiadas foram suficientes para me deixar espantado com o que vi/ouvi.
Foram duas entrevistas, com dois pais que passaram por situações difíceis com seus filhos. Eu não sei se as pessoas notaram as semelhanças, mas o comediante Paulo Silvino e o cantor Leonardo, em seus depoimentos, disseram praticamente a mesma coisa.
Leonardo disse acreditar que a recuperação de seu filho Pedro Leonardo, que passou uma temporada na UTI em estado grave devido a um acidente automobilístico se devia a um milagre. Paulo Silvino, com outras palavras também creditou a Deus a recuperação de seu filho Flávio Silvino, também vítima de um acidente de carro.
O depoimento de Silvino foi mais dramático, cheio de emoção, quando ele contou com mais detalhes como teria sido sua conversa com Deus. Foi mais ou menos assim:
"Deus, você não tem como não fazer esse milagre, o Brasil inteiro está pedindo, está orando, e olha, vai ser um grande marketing para você. Do contrário, se você não fizer, as pessoas podem duvidar da sua existência..."
Será que alguém se deu conta da insanidade que essa pessoa disse? Entendemos que se tratava de um momento difícil, mas não há como não perceber agora que ele praticamente chantageou Deus, e o que é muito pior, esqueceu ou desconsiderou que milhares de pais fizeram pedidos igualmente desesperados e tresloucados no intuito de salvar seus filhos de situações igualmente extremas, mas não obtiveram a mesma resposta.
O que será que acontece? Deus só atende aos pedidos se devidamente chantageado? Ele desejava matar o Flávio Silvino, mas como houve uma comoção nacional, além da chantagem do pai, Ele se sentiu obrigado a realizar um milagre? Por que Deus permite que crianças sejam vítimas de câncer e pereçam por meses ou anos em um leito de hospital, ou que sejam queimadas ou jogadas na lata do lixo por suas mães, ou ainda que cresçam com graves limitações físicas ou mentais? Ele estaria muito ocupado em realizar milagres para reestabelecer garotos velozes e furiosos ao volante?
Acreditar nesse tipo de Deus não seria uma babaquice fantástica?
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